16 julho 2013

Visita pra dama, o vagabundo.



Sinopse:

Júlia  é uma garota até onde se diz normal. Patricinha de pai e mãe, 18 anos e residente da
Zona Sul do Rio de Janeiro. Passa férias onde quer, estudava no melhor colégio do Rio e agora se prepara pra entrar na faculdade junto com a sua melhor amiga obviamente de classe social igualável. Sempre presente nas colunas  sociais por causa da sua nomeada família que segue uma longa jornada da carreira política. Por causa da família, Júlia é um tanto quanto preconceituosa e metida, mas sentimentos ruins nunca duram para sempre.

Prólogo:
Saí do corredor e entrei no quarto da minha mãe bufando de raiva, agora tinha que ver a Ana Luíza pelada também é? Imbecil. Tirei a roupa no quarto mesmo e fui pro banheiro nua, tava um calor do caramba e a cota de mulheres peladas já estava vencida pro meu gosto. Tomei um banho de ducha mesmo e nem lavei o cabelo porque já tinham levado o meu shampoo. Saí e logicamente esqueci a toalha, gritei a Babi e pedi pra ela trazer a toalha, então fiquei de boa, ela bateu na porta da suiíte, e fui atender quase que pulando e pelada (imagine a cena hahaha) mas não era a Babi.
Kauãn: eeer a to...toalha - ele disse me olhando da cabeça aos pés
Júlia: aaah sai daqui garoto - ele me entregou a toalha mas quando fui fechar a porta ele entrou na frente me fazendo ir para trás e fechando a porta atrás dele. Ele agora me olhava nos olhos e eu nem consegui me cobrir com a toalha, apenas a colocando na minha frente, na verdade, entre nós dois. Ele foi se aproximando e as minhas pernas bamboleavam.
Kauãn: to te falando que é mais forte que eu Júlia - falando isso ele abraçou a minha cintura e no impulso deixei a toalha cair pregando nossos corpos úmidos (ele estava de bermuda mas ainda úmido do banho e sem camisa com o cabelo molhado e bagunçado).
Júlia: não faz isso - falei já meio rouca
Kauãn: o quê? Isso? - ele me apertou mais contra ele e beijou meu pescoço
Júlia: é para véi - eu tentava me soltar e ele não me largava
Kauãn: e isso? - ele segurou meu cabelo puxando o meu rosto para trás e beijava meu queixo e por fim beijou minha boca.

ATENÇÃO:
Bem, essa não é minha primeira web então sei como são os esquemas kk' Mais está é minha primeira vez aqui no blgo das “TOP”Contos and Web Novelas :)
Amo conversar com os meus leitores e gosto que opinem sobre a web *-*
Não posto todos os dias mas escrevo sempre, nunca abandonei minha web anterior  não vai ser essa que vou.
Espero que gostem, amo escrever!
Beijinho da Mikaeela*-*


Personagens:
Júlia Andaretto, 16 anos. Como já disse, mais patricinha impossível, não vive sem shopping, o colégio onde ela praticamente manda e sem sua melhor amiga Babi.

Bárbara Kalloni, 17 anos. Inseparavelmente amiga/irmã de Júlia. Babi vive a vida intensamente, ou como ela gosta de falar, perigosamente.

Kauãn Basttos, 20 anos. Nunca se deu bem com o seu pai e com a morte da mãe as coisas pioraram. Saiu de casa quando seu pai morreu e nunca quis muita coisa com a dureza. Completo vagabundo só vive para os seus rolês.

Marcelo Lobo, 20 anos. Nascido e criado no morro do Adeus, mora com a sua mãe e só vive aprontando com os amigos. Amigo/irmão de Kauãn, são inseparáveis. Ele é rebelde e odeia tudo que tem a ver com o capitalismo.
Felipe Kalloni, 22 anos. Irmão da Babi e namorado da Larissa. Ama a irmã e a defende sempre. Amigo da Júlia e sempre pegador, não curte muito namorar mas como ele diz "Se ela tava lá, bora curtir".
Larissa Moraes, 16 anos. Namorada e obcecada pelo Felipe e pelo dinheiro dele também. Classe média mas sempre metida e acha que conquista tudo com um corpão bonito.


Júlia Narrando
Início de ligação: 
Júlia: fala vadia
Babi: amigaaaaaaaaaaa
Júlia: oi amor, o que tu manda me ligando a essa
hora da noite?
Babi: olha a frescura minha filha, são
22:00 horas ainda e to a fim de sair que hoje é
sexta
Júlia: to sabendo só de uma rave amiga, meio
afastado da cidade mas parece ser bem foda
Babi: gosto de raves anima não?
Júlia: posso não amiga, se minha mãe souber ela
me esgana, não quer me deixar sair
Babi: e show de rap hoje? Borá?
Júlia: sou mais a rave – ri
Babi: topo qualquer parada fia
Júlia: pior que to doida pra sair amiga
Babi: então fechou, nós vamos
Júlia: como? Duas gurias de 16 anos indo pra
rave sem carro e sozinhas?
Babi: simples! Meu irmão ta partindo ele passa
aí e te busca, você diz que vai
dormir aqui ok?
Júlia: bem pensado amiga, passa aqui que horas?
Babi: pra não dar na cara, daqui 40 minutos

Júlia: fechou! Beijo
Fim de ligação
Desliguei o telefone e fui voando pro banho,
depois vesti um short jeans com os bolsos bordados em paetês mostrando, uma
camiseta gola em V da Abercrombie azul com rosa Pink e uma melissa sapatilha
rendada preta, fiz uma maquiagem escura preta com rosa fluorescente, me
perfumei e peguei meu óculos absurda, celular e carteira, coloquei na bolsa
pequena da Tommy rosa e estava pronta. 
Júlia: mãe – ela estava na sala vendo novela com o meu pai, o que era uma
raridade eles dois juntos assim na paz já que brigavam tanto ¬¬’
Agnes: oi filha – ela me olhou – vai pra onde? – olhou no relógio – às quase 23
horas da noite?
Júlia: dormir na casa da Babi porque as primas dela vão pra lá dormir lá e vai
rolar uma festinha do pijama – sorri
Agnes: e colocou na bolsa as coisas de dormir? Escova de dentes , pente, pijama
não muito curto porque ela tem irmão minha filha
Júlia: relaxa mãezinha ta tudo aqui e até coube nessa bolsa – sorri, dei um
beijo nela e outro no meu pai que praticamente dormia no sofá, saí pra fora e a
Babi com o irmão dela chegaram logo, entrei no carro e partimos.  Pegamos a estrada que parecia ser bem longa,
tinha estrada de terra também e estávamos eu, a Babi no banco de trás e o irmão
dela (Felipe) dirigindo e a frescura da namorada dele a Larissa no passageiro.
Eu e a Babi ficamos o tempo todo cantando e dançando dentro do carro as músicas
que rolavam.
Larissa: finalmente chegamos amor, não aguento
mais tua irmã e essa pirada aqui
Felipe: relaxa Lá, borá meninas que hoje eu quero fritar haha – ele estacionou
o carro e o relógio marcava 00:24 horas, descemos do carro e já íamos andando
floresta a dentro igual muitas pessoas, a Babi estava animadíssima e eu também,
a Larissa parecia não gostar muito do mato, de fato era um matagal ali mas o
clima de rave me fascinava.
Babi: borá Pierre cadê as bebidas?
Felipe: no porta malas carai, mas os doces e as balinhas tão comigo – ele
sorriu
Babi: quero lança é mais fraco – ela sorriu e ele entregou uma latinha pra ela
– uhul haha, amo essa música
Passava essa música:
E dançávamos bastante, badagava lança com a Babi e o Felipe
liberou uma latinha pra mim e duas balinhas de êxtase pra gente, cada uma tomou
uma e o bagulho foi ficando louco, era uma sensação louca demais, eu só tinha
experimentado uma vez antes e foi metade em uma boate que fui uma vez com a
Babi.
Júlia: que onda escroooooota amiga hahahahaha
Babi: demais mas isso me dá uma vontade sinistra
Júlia: de quê? – eu ria e ela olhava para os lados até que foi até um menino e
lascou um beijo nele e eu só olhava e ria demais
Xxx: sozinha gatinha? – escutei alguém atrás de mim e me virei pra olhar, tinha
um cara me olhando, até bonito
Júlia: veeei nem sei – eu ria e ele fumava parecia ser maconha, eca odeio
maconheiro – na verdade to sim – sorri
Xxx: to vendo como tu ta acompanhada, carregada de bala haha
Júlia: oxe te interessa por acaso mlk?
Xxx: de boa, mas é que eu queria um beijo sacou?
Júlia: mas eu não quero – olhei pra onde a Babi tava e ela tinha sumido AFF
Xxx: ok patricinha – ele saiu ainda fumando o cigarrinho dele o que me deixou
com raiva porque ele nem insistiu aff
Fiquei andando pela rave e me deu sede, avistei o tal cara e fui até ele.
Júlia: eeei – o cutuquei que me olhou sorrindo
Xxx: e aê patricinha o que manda?
Júlia: tem água aí? – mesmo assim eu continuava
lombrada, era um lombra boa mas já tava me afetando e eu conhecia muito bem
onde eu parava quando tomava êxtase, afinal era a droga do amor, né?
Xxx: tenho – ele pegou a garrafinha de água e me entregou – mas me diz aê teu
nome pelo menos
Júlia: é Júlia – disse entre alguns goles que eu dava na água mineral, parei de
beber e olhei pra ele - e o seu?
Xxx: é Kauãn – ele sorriu
Júlia: hm e tu é daqui do Rio mesmo?
Kauã: eu? Não, quer dizer moro aqui mas nasci em São Paulo
Júlia: ah ta bom, valeu pela água, tava na seca
Kauã: ah to na seca também
Júlia: toma aqui, ainda tem
Kauã: to na seca disso – ele se aproximou e segurou na minha nuca e na minha
cintura e me lascou um beijo, ah e que beijo!
Ele foi parando o beijo porque já estávamos perdendo o fôlego e me olhou, falou
no meu ouvido:
Kauã: que beijo em gatinha, nos vemos por aí –
sim, ele disse isso e saiu, olhei debochada pra ele e saí andando, vá se lascar
pra lá.
Estava andando meio tonta e perdida ainda, até que não agüentei mais e me
sentei na grama, estava bem escuro onde eu estava só com algumas luzes neon
reluzindo meu cabelo e eu ria sozinha, via vaga-lumes gigantes e coloridos,
estava vendo a fada sininho também e assim eu ria sozinha e as pessoas que
passavam por mim riam de mim ou comigo, sei lá.
Xxx: que linda, ta curtindo de montão hein
Júlia: rave é pra isso né tio – eu continuava rindo
Xxx: ta louca de bala hein haha
Júlia: e se for de doce? Tu num sabe..
Xxx: não, eu sei que é de bala hahaha
Júlia: ah é e por quê?
Xxx: por que tu ta doidinha pra se abrir aí – ele sorria
Júlia: nunca ok? – me levantei meio cambaleando até que avistei a Babi ficando
com o mesmo carinha - meu namorado ta ali, finalmente achei tchau
Saí andando rumo a Babi.
Júlia: oh sua piriguete, tava perdida sabia? –
falei rindo e ela ria comigo
Babi: foi mal migs  mas e aí tava fazendo
o que e aonde? Hahaha
Júlia: tava por aí, mas tu só na pegação né
Babi: novidadee mas to rindo a toa aqui bota fé que meu irmão tava catando uma
mina ali no matinho? Hahaha – ela ria sem
parar
Júlia: e cadê a frescura em pessoa?
Babi: deve ta perdida por aí choramingando hahahaha
Júlia: credo amiga, ela deve é ta pegando outro
Babi: se tiver tomara que meu irmão veja só digo isso – ela ria
Júlia: ai ai
Ficamos dançando e curtindo a festa, passei pelo idiota que me beijou e ele
tava quase comendo um mina lá do cabelo
amarelo, a Babi pegava todo mundo que
aparecia, ela tava doidona e eu também, tomamos mais balas e doce, eu misturava
tudo e ainda bebi vodka, mas tomava cuidado pra não dar PT. E assim a noite ia
passando e o dia clareando as bebidas já
tinham acabado e a gente tava só o ó
bêbadas, alucinadas e fritando.
Babi: caralho amiga que rave boa – ela falou na saída
Júlia: nossa nem fala amiga hahaha
Babi: pegou quantos? – ela perguntou ao entramos
no carro
Júlia: só um acredita?
Babi: um? Como assim? Cadê a pegadora de todos os séculos? Hahaha Eu fiquei
com.. hmmm, ah perdi foi a conta, acho que com uns 15 ou 17 sei lá – ela ria
demais
Júlia: ah amiga sei lá o que me deu, mas alucinei demais cara que isso, preciso
de mais raves em minha vida
Babi: e se recomponha porque hoje a noite tem show de rap e tu vai comigo
Júlia: vou sim mas tem como ser um show sem maconheiros chatos não?
Babi: fia tu hoje vai é alucinar na marafa – ela ria demais
Júlia: aham sonha
Felipe: e as minas aí tão falando que vão pra onde mesmo?
Babi: show da Cone que tu vai nos levar
Felipe: Se for perto, ou melhor, caminho eu levo
Babi: caminho de onde?
Felipe: da casa de um brother meu

Larissa: que brother amor?
Felipe: um aí
Larissa: vai fazer o que lá num sábado a noite?
Felipe: jogar videogame Larissa, tu quer ir?
Larissa: não
Felipe: então ta
O Felipe me deixou em casa e fiquei de encontrar
a Babi na casa dela pra ir pro tal show, ela ia me emprestar algumas roupas mais de acordo, entrei em casa e fui direto pro meu quarto, tava morta e
fritando ainda, as escadas ainda brilhavam ou seja, eu tava lombrada ainda.
Agnes: filha é você? – ela perguntou do pé da escada quando eu já tava lá em
cima
Júlia: eu mesmo mãe
Agnes: almoçou direito?
Júlia: almocei mas acho que ainda to com fome – apareci da ponta da escada, eu
não tinha nada no estômago e tinha que estar boa pra sair a noite de novo né.
Agnes: então vem comer porque eu fiz aquele macarrão que você gosta
Deixei minhas coisas em cima da cama e desci para almoçar. Peguei uma pratada
de macarronada e minha mãe se sentou comigo na mesa.
Agnes: então filha como foi lá?
Júlia: louco mãe – falei sem me tocar
Agnes: louco? Como assim?
Júlia: ãn? – a olhei caindo na real – aaah tipo louco no sentido de legal,
comemos brigadeiro e pipoca amanteigada – sorri disfarçando
Agnes: entendi e o irmão dela tava lá?
Júlia: vi não mãe – falei com a boca cheia
Agnes: hm e os namoradinhos minha filha?
Júlia: Mãaaae menos né
Agnes: nossa, só queria saber ué você é tão fechada poxa, você é conhecida
Júlia, ninguém merece uma Andaretto encalhada filha
Júlia: mãe eu não to encalhada eu só não gosto
de namorar
Agnes: a gente percebe que você é desvirtuada né Júlia, aquele menino lindo,
como é mesmo o nome dele? Gustavo não é? Filho do Xavier Noblat, isso, o
Gustavo Noblat louco por você e olha só você deu o fora no coitadinho
Júlia: Mãe aquele lá é um mala
Agnes: mala são esses carinhas que têm por aí , coisa que a minha irmã se
envolvia – ela soltou um suspiro. Minha mãe nunca perdoou a minha tia por ter
abandonado a família por causa de um namorado que a engravidou e por causa
disso ter ido morar  em um morro. – A Alice era uma sem juízo, sempre avisei ela
do perigo que era viver ali.
Júlia: mãe a tia Alice morreu de um ataque cardíaco e não de bala perdida,
relaxa
Agnes: dá na mesma, vivia estressada com aquele pé rapado daquele marginal que
engravidou ela
Júilia: ai ai mãe relaxa
Agnes: falando nisso quero que o seu primo venha
morar comigo, acredita que ele brigou com o marginal e foi expulso de casa? De
casa não, daquele barraco. Se a minha irmã visse isso acho que ela mataria o
Moisés com a faca de mesa mesmo.
Júlia: mãe vai trazer um favelado pra cá é?
Agnes: É seu sangue Júlia, também não gostaria de ter que fazer isso mas é
minha obrigação, sou a única parente dele, aliás, nós duas somos as únicas
parentes consangüíneas desse menino.
Minha mãe tinha muito remorso por só ter voltado a falar com a minha tia quando
a mesma foi internada e daí no mesmo dia morrer. Depois disso minha mãe nunca
mais foi a mesma, havia 1 ano da morte da minha tia e minha mãe falava dela
todos os dias, as duas eram muito unidas e já não tinham mais os meus avós, a
família materna era pequena e eu nem conhecia esse meu primo, pra mim que era
prima mas segundo a minha mãe era um garoto.
Agnes: só vou falar com o seu pai para reformarmos o quarto da Babi pra ele
Júlia: ah não mãe, deixa ele no quarto de hóspedes pô que saco
Agnes: filha a Babi quando vier pra cá dorme contigo, ele não é hóspede e sim
vai morar conosco, devo isso à Alice e vou tratar
dele como filho, inclusive
vou pagar faculdade, roupas, comida, tudo
Júlia: hm legal agora não sou mais filha única, arrumei um irmãozinho da
bandidagem
Agnes: olha o respeito Júlia
Me levantei da mesa e subi as escadas em direção
ao meu quarto e me joguei na cama. Fiquei perdida em pensamentos, ninguém
merecia um traste dividindo tudo comigo, mas se meu pai diminuísse minha mesada
ele iria se ver comigo, ah se ia! Perdida nesses pensamentos eu dormi e nem vi
a hora passar, acordei com os berros da Babi no meu ouvido.
Júlia: aaaaaaaaaaaaaaaah porraaaaaaaaaaaaaaaaaaa
Babi: dormiu demais fia, anda pro banho que o manézão ta esperando lá embaixo
no carro  - me levantei e fui correndo
tomar banho, a Babi ficou escolhendo uma roupa. Saí do banho e vesti um short
em cores degrade rosa neon com jeans claro azul e uma camiseta de caveira
customizada dos lados preta de caveira dourada, calcei uma ankle boot preta e
coloquei meu anel de caveira dourado com os brincos de caveira também dourados.
Fiz um make preto e soltei o cabelo, me perfumei e estava pronta, só peguei
minha carteira e partimos.
Babi: ta linda amiga
Júlia: você que ta irmã
Entramos no carro e partimos pro show, até que no caminho me animei, a Babi
estava empolgadíssima porque era show da Cone com o Oriente abrindo. Descemos
do carro e o Felipe disse que iria pra um barzinho próximo dali esperar a
gente.
Fomos até a bilheteria e tinha muita gente, mas
muita mesmo. A Babi comprou nossos ingressos e entramos direto pra área vip no
lounge onde tinham gente um pouco menos estranha e vários playboyzinhos metidos
a bandidos, aff!

A Babi se divertia ao máximo, fez amizade com uns meninos lá e logo tava
fumando maconha com eles, o show abriu e começou com uma música que até achei
bonitinha, se não me engano se chamava O
Vagabundo e a Dama 
por fim eu já estava interagindo hahaha.
Comecei a beber com a Babi e já
estava mais pra lá do que pra cá quando a Cone Crew Diretoria entrou, a Babi
tava lá fumando então ela tava lerdona aproveitei e resolvi ir ao banheiro mas
o segurança me informou que os banheiros ficavam do outro lado e na pista,’ que
merda’ eu pensei. Fui descendo as escadas com cuidado porque tava já bem bêbada
mas foi em vão, tropecei no último degrau e fui com tudo pro chão, tava tão
louca e que ali mesmo eu fiquei sentada no chão com um monte de gente me
olhando até que um menino veio me ajudar a levantar. Ele foi me levando dali
que estava muito cheio e paramos na entrada ainda do lado de dentro mas estava
mais tranqüilo.
Xxx: você ta legal?
Júlia: to sim – eu ria sem parar
Xxx: to vendo que ta bem até demais – ele riu – qual seu nome loira linda?
Júlia: é Júlia e o seu?
Xxx: É Alex satisfação
Sorri e ele vinha se aproximando, eu deixei rolar, ele me beijou e o beijo era
até bonzinho. Ele me beijava e pegava na minha cintura de um jeito mais
grosseiro, mas como eu tava bêbada, não consegui controlar muito bem o que tava
rolando, ele beijava meu pescoço e eu já estava arrepiada e com tesão.
Alex: vamos lá pra fora? Aqui as pessoas olham - ele sorriu
Eu assenti com a cabeça e fui com ele, ele andava abraçado comigo atrás de mim e eu sentia o volume na sua calça mas lembrei que era virgem e não queria assim de qualquer jeito. Ele me encostou em um muro num canto mais reservado no estacionamento e me beijava mais intensamente, chupava meus lábios e alisava as minhas coxas com força, fui me afastando mas ele não parecia deixar.
Júlia: gato vai rolar não cara
Alex: ah olha o grau tu me deixou mina - ele abriu a bermuda e tirou seu pau pra fora que estava duro.
Kauãn Narrando

Só o Marcelin mesmo pra me fazer perder um baile da Cone pra pichar a fachada do galpão. A gente curtia uma marafa na boa, cantarolava as rimas que os manos da Cone mandavam lá dentro e fazia a fachada toda no nosso estilo deixando a 'city' com a nossa cara haha.
Marcelo: Mano ta ficando fodástico, os capa vão é pagar pau haha
Kauãn: demais velho, ta ficando show e tu vai ver os maloca da city tudo recalcado - ele ria
Marcelo: ih carai - ele falou olhando para baixo e coçando a cabeça
Kauãn: qual foi?
Marcelo: busca lá as tinta roxa vaai
Kauãn: porra tu esqueceu onde?
Marcelo: no murinho do estacionamento vei, vai tu que eu to aqui em cima e anda logo
Kauã: porra carai já vou
Fui saindo dali e tava meio escuro, ia ser fodinha de achar a porra da mochilete, ia procurando e fugindo caso alguém visse, coloquei o capuz do moletom na cabeça por cima do aba reta e fui andando até que escutei uns gritos mas fiquei na boa, devia ser da lombra, eu já tava era ficando doido, mas não era da minha cabeça não tinha um mlk e uma mina, acho que ela tava dando pra ele justo no murinho da mochila, fiquei atrás de um carro estacionado próximo até que escutei a mina gritando e ele tampava a boca dela saindo só uns gritos abafados, ele tava com o pau pra fora roçando nela, coisa nojenta de ver, ela se debatia, caralho odiava machismo e injustiça ainda mais contra as minas. lembrei do meu pai batendo na minha mãe e como um flash meu sangue subiu pro olho e fui até lá. Catei o malandro pega gola da camisa quase enforcando ele, meu corpo tava meio pesado por causa da maconha então era certo que eu ia apanhar, a mina caiu no chão chorando, ele tentava me acertar até que simulei ta com uma arma por baixo da berma, ele ficou com medo e o arregão fugiu me xingando e xingando a menina. Fui até ela que chorava  sem parar, me abaixei e olhei pra ela, tava muito escuro então a levantei e fui puxando ela dali.
Kauãn: cê ta legal?
Xxx: uh...uhum - ela soluçava de tanto chorar - quero ir embora
Kauãn: vem que eu te levo - saí puxando ela pela cintura
Peguei meu celular e mandei uma sms pro Marcelin dizendo que tava indo embora, depois contava da treta pra ele. Fui levando ela até a minha moto e a sentei na garupa, a rua estava muito escura, montei na moto e parti. Não sabia onde ela morava mas acho que qualquer lugar seria melhor do que ficar ali pra ela. Desci na rua da casa do Andin que era um brother nosso que nunca tava no Rio, ele era MC e só ficava fazendo show em Sampa, eu tava hospedado na casa dele enquanto me virava. Desci da moto e ajudei ela a descer que parecia tremer de frio, mas também com uma roupa curta daquela. Tirei meu casaco e enrolei ela, fui a levando pra kit net do Andin e ela se sentou no sofá -cama e eu acendi a luz, olhei pra ela e não acreditei, era a mina da rave. Ela me olhava também toda encolhida mas acho que com a mesma surpresa que eu.
Kauãn: pera aí
Júlia: Kauãn? - ela me olhou espantada e ainda lembrava meu nome, só que eu não lembrava o dela
Kauãn: patricinha da bala
Júlia: é Júlia - ISSO!! ERA JÚLIA!
Kauãn: caralho tava fazendo o que no galpão do sonzera?
Júlia: acompanhando uma amiga no show da banda que ela gosta
Kauãn: e por quê não tava com ela?
Júlia: ia ao banheiro, disso eu lembro aí... - ela parou olhando pra parede - aí só lembro daquele nojento - ela fez uma cara ruim e triste
Kauãn: tem que tomar cuidado mina, só tem capa nesse mundo
Júlia: você ta armado de verdade? - ela me olhou com medo e se encolheu, eu ri
Kauãn: não mina, sou da paz gosto dessas mutretas não - ela deu um sorriso de alívio
Júlia: mora aqui?
Kauãn: mais ou menos - me sentei na poltroninha na frente dela
Júlia: não entendi
Kauãn: sou um perdido - sorri sem graça - tenho nada nessa vida - suspirei - e tu mora onde? Tenho que te levar em casa né senão teu pai vai ficar de kaô
Júlia: Perdido como? - ela me olhava intrigada, acho que essa patricinha não conhecia nada da vida.
Kauãn: sem rumo, tenha nada nessa vida só meus irmãos de fé
Júlia: ah entendi, seus amigos né?
Kauãn: mais que amigos, irmãos
Júlia: sei como é tenho uma fiel assim - ela riu, e que sorriso lindo
Kauãn: olha pelo menos consegui arrancar um sorriso da patricinha nessa noite amarga - sorri sem graça
Júlia: é, obrigada por ter chegado na hora senão nem sei o que tinha acontecido
Kauãn: olha só eu que to feliz pô, minha mãe sempre disse que eu não prestava pra nada - sorri melancólico lembrando da minha véia berrando essas coisas
Júlia: melhor vagabundo que encalhada - ela riu
Kauãn: por quê encalhada?
Júlia: minha mãe fica me arrumando uns carinhas malas por aí filhos dos amigos dos meus pais mas nem rola pô
Kauãn: gosta de vagabundo que frequenta rave? - ri - zuando gatinha
Júlia: ai ai aquele beijo forçado eca - ela riu
Kauãn: ai ai até parece tava doidinha - eu ria e ela ficava corada
Júlia: véi eu tava bebendo água e tu deu o bote, daqui a pouco vai querer que eu pague o salvamento né? - ela sorriu sem graça
Kauãn: sou assim não gatinha - sorri - relaxa me aproveito de ninguém sou da paz
Júlia: entendi
Nessa hora o celular dela tocou e ela atendeu, fiquei encarando a parede mas prestando atenção na conversa dela .
Júlia: oi amiga desculpa... é eu imagino, foi mal, ta ta ta, eu  sei... desculpa... eu? - ela me olhou e voltou as atenções ao telefone - To com... com um amigo... depois te falo... não sei, beijo te amo, tchau - ela desligou o celular e se voltou pra mim. - desculpa, esqueci de avisar minha amiga.
Kauãn: tua fiel? - sorri
Júlia: essa mesmo - ela riu
Júlia Narrando

Kauãn: patricinha também? - ele riu
Júlia: pode ser que sim, pode ser que não - eu ri e ele pareceu não entender - eu preciso ir
Kauãn: eu te levo
Júlia: precisa não mas me fala que lugar é esse aqui que estamos? - ele riu - que foi?
Kauãn: Nada, mas tu é patricinha mesmo hein mina, nem conhece a Zona Norte do teu estado? Aqui é Baixada Fluminense, onde tu mora?
Júlia: Moro na Barra mas não to indo pra casa não
Kauãn: então sem discussão, eu te levo
Júlia: pode ser - fui tirar seu casaco mas ele não deixou
Kauãn: ta doida? Ta muito frio lá fora, pera aê que eu pego outro pra mim aqui - ele entrou e depois veio vestido em outro casaco com umas pichações estampadas - bora?
Júlia: uhum
Saímos da casa lá e partimos em sua moto, dei o endereço e fui ensinando pra ele a chegar lá, quando finalmente chegamos ele ficou espantado.
Júlia: que foi? - sorri
Kauãn: isso aqui é um barzinho de bacanas
Júlia: realaxa menino, não vim beber e nem aprontar - sorri - é que o irmão da minha amiga que vai levar a gente em casa ta aqui e ela pediu pra chegarmos juntas pra ele não saber do nosso desencontro e não ficar pagando sapo entendeu?
Kauãn: é, acho que sim - ele disse meio confuso coçando a cabeça.
Júlia: obrigada viu – o abracei mas senti ele se encolher então o soltei
e saí entrando no barzinho, o ambiente estava escuro então ia ser mas difícil
achar a Babi já que tínhamos combinado nos encontrarmos na área de baixo antes
de  subirmos pra mesa do Felipe que estava no lounge. Olhava de um lado para o
outro e nada até que alguém me segurou pelo braço com força:
Júlia: AAAAAI TA ME MACHUCANDO PORRA
Xxx: vem comigo que isso aqui num é lugar pra você não vadia – o segurança do
barzinho veio me puxando pelo braço me machucando e me arrastando, por fim me
jogou de uma vez na calçada de fora, eu fiquei chocada com aquela reação.
Até que um cara me ajudou a levantar, olhei pra ele e nossa, que lindo! Mas
voltei na real do que eu tinha acabado de passar.
Yyy: Você ta legal? – ele me ajudou a levantar
Júlia: é, eu acho que sim mas to me sentindo humilhada
Yyy: é normal, se acalma, esses caras acham que mandam no mundo só porque tem
uma merda de um bar pra classe alta, que vergonha viu
Júlia: Mas espera que agora ele vai levar uma lição daquelas pra aprender a não
me confundir com qualquer uma – tirei o casaco do Kauãn e peguei minha
identidade na minha carteira e cheguei na portaria.
Xxx: o que tu quer? Vou chamar a polícia, vaza!
Júlia: você não sabe mesmo com quem ta falando né? Não lê coluna social né seu
ignorante – peguei minha identidade mostrando pra ele – Dá uma olhada na foto,
no meu nome e principalmente no nome do meu pai e toma cuidado! Ele pegou a identidade e quase caiu para trás, ficava me olhando e olhando para
a foto do documento todo pálido.
Xxx: me...me desculpa senhorita Andaretto, eu não reconheci você, quer
dizer, a senhorita
Júlia: menos ou seu subalterno – peguei meu documento da mão dele e entrei no
barzinho novamente procurando a Babi até que o tal carinha me alcançou.
Yyy: caramba! O que você fez pra aquele cara ficar daquele jeito? – ele sorria
Júlia: coloquei ele no seu devido lugar – sorri
Yyy: não me apresentei, prazer, Fernando Lewinovski – ele sorriu
Júlia: Prazer Fernando, meu nome é Júlia. Júlia Andaretto.
Fernando: Andaretto? Parente do Senador Juscelino Andaretto? – ele perguntou
confuso
Júlia: filha dele – falei sem graça
Fernando: Nossa, que legal – ele sorria
Nessa hora meu celular vibrou, olhei-o e era uma mensagen da Babi dizendo que
estava com um menino e que o show estava acabando pra eu enrolar mais um pouco
antes de ir pro barzinho.
Júlia: ótimo – falei olhando pro celular
Fernando: algum problema?
Júlia: Não, nenhum. – sorri – Bem pra esperar vou tomar alguma coisa, to até
Fernando: esperando o namorado?
Júlia: não, a namorada – eu ri
Fernando: o quê?
Júlia: to brincando, to esperando minha amiga – disse indo em direção ao balcão
e sentando em uma cadeira alta, olhei pro Barman que veio nos atender – eu
quero um mojito por favor
Barman: e o senhor?
Fernando: um Whisky Ballantines por favor – o Barman saiu e ele se sentou ao
meu lado no balcão.
Júlia: me fala de você – sorri – não vou beber com um estranho
Fernando: sou sem graça, não sou uma pseudo-celebridade como você – ele riu e
eu fiz careta – sou médico, um mero neurologista.
Júlia: ah e acha isso pouco? Eu quero ser médica ou advogada
Fernando: ué, quantos anos você tem?
Júlia: ihh já vai vir com a bolação – eu sorri e ele sorriu também – tenho 16
anos ainda – fiz uma cara triste.
Fernando: muito novinha pra sair assim sozinha a noite não acha? E ainda rico
do jeito que seu pai é, pode ser alvo de seqüestro – ele disse sério
Júlia: vai me seqüestrar? – nossas bebidas chegaram e dei um gole enquanto ele
me olhava incrédulo.
Fernando: não, eu de fato sou médico garota – ele sorriu
Júlia: então ta tudo ótimo, eu tava numa festa com a minha amiga mas me
desencon... – olhei pro lado e vi o Felipe saindo porta a fora, que merda não
ia dar tempo
Fernando: o que foi? 
Júlia: pera aí – peguei meu celular e mandei uma sms pra Babi dizendo
que o irmão dela já tinha ido embora, pra ela pegar um táxi que eu ia fazer o
mesmo e nos encontrávamos na casa dela mais tarde. Ela respondeu um ‘ok’ e
fiquei mais tranqüila. – pronto. – sorri – e você ta esperando sua garota? –
sim, eu era atrevida e curiosa, sempre fui.
Fernando: não não, vim relaxar um pouco, beber meu whisky e depois vou pra casa
que amanhã tenho uma cirurgia cedo pra fazer.
Júlia: nossa, você é neuro-cirurgião então?
Fernando: é, também – ele sorriu – mas sou humilde
Júlia: humildade pra quê? Tem mais é que mostrar quem você é – sorri e ele me
observava – que foi?
Fernando: personalidade muito forte pra uma garotinha de 16 anos – ele sorriu
Júlia: garotinha não né, aposto que você nem é tão mais velho do que eu, tem mó
marra de novinho – eu ri e ele riu também
Fernando: chuta minha idade – ele me olhou e deu um gole no seu whisky
Júlia: uns 23 no máximo – dei um gole no meu mojito mas ele riu – que foi
errei?
Fernando: errou feio, tenho 28 daqui uns meses 29 – ele riu – falei que era
velho.
Júlia: jura? Ou ta me zuando? – olhei surpresa – Nunca que você tem cara de
quase 30.
Fernando: eita, obrigado pelo quase 30, já to quase na meia-idade – ele sorria
Júlia: desculpa mas não dá pra acreditar – sorri então não namora, é casado né?

Fernando: não, eu já fui noivo mas não cheguei a casar não, na verdade nem
tenho muito tempo pra isso não, passo a maior parte da minha vida sozinho tanto
em casa como no hospital.
Júlia: ah entendi e mora onde?
Fernando: eu tenho um apartamento no Leme e você?
Júlia: na Barra
Fernando: ah ta – ele olhou o relógio – acha que sua amiga ainda vem? São 15
para as três da manhã – ele me olhou
Júlia: não, eu já sei que ela não vem, vou pra casa dela – me levantei e deixei
o dinheiro no balcão – legal te conhecer
doutor Fernando Levi o quê? – ele riu
Fernando: Lewinovski
Júlia: isso aí – sorri – mas já vou
Fernando: espera – ele pegou o meu dinheiro no balcão e colocou no meu bolso –
já paguei – ele sorriu – onde sua amiga mora?
e vai embora como?
Júlia: Ali na Barra também, pego um táxi tem vários aqui na porta – sorri
Fernando: faço questão de te levar, é um pulo daqui e já basta sua emoção com o
segurança não acha?
Júlia: nem precisa sério mesmo
Fernando: mas é meu dever de homem, vem, vamos – ele me puxou pela mão e eu
fui.
Chegamos no estacionamento e ele desativou o alarme de um Sonata branco,
entramos e fui ensinando o caminho a ele, até que chegamos bem rápido na porta
já que naquela hora nem tinha trânsito.
Fernando: prontinho linda
Júlia: obrigada doutor Lewinovski – ele riu – olha só já acertei o nome hahaha
Fernando: acertou sim – peguei meu celular pra olhar se tinha alguma sms da
Babi mas ele tirou o iphone da minha mão e colocou no painel me olhando
Júlia: o que foi?
Fernando: eu sei que to errado mas devo confessar que você é foda viu –
ele sorriu
Júlia: eu? Por quê?
Fernando: porque nunca pensei em beber com uma menor e me sentir assim com
vontade
Júlia: vontade?
Fernando: é – ele se aproximou e segurou na minha nuca e me beijou. Ele beijava
devagar e segurava no meu cabelo, era um beijo bom mas a cada segundo o beijo
nos esquentava, ele desceu a mão até minha cintura e eu segurava sua nuca com
firmeza e com a outra mão alisava seu braço que me segurava com força, ele
mordia meus lábios e eu gostava daquilo até que me lembrei novamente que era
virgem mas não recuei, ele parecia ser um cara legal e por ser mais velho era
mais cauteloso, melhor que esses pirralhos que se achavam por aí iguais os da minha escola. Mas ele foi diminuindo o ritmo e parando até que parou e eu fiquei só
olhando.
Fernando: mais uma vez me desculpa Júlia, não sei o que me deu, não quero me
aproveitar de uma menor, melhor você entrar.
Júlia: calma, só foi um beijo, credo – peguei meu celular e saí do carro. Ele
manobrou e saiu, abri o portão da casa da Babi e entrei, ela estava sentada na
porta de casa sem entrar ainda, parecia muito lombrada de maconha.
Júlia: ué amiga acabou de chegar?
Babi: uhum – ela ria sem parar
Júlia: se segura aí Babi senão seus pais vêm aqui e acaba com a sua viagem –
sorri – vem vamos entrar – ajudei ela a se levantar e entramos em casa.
Estava tudo escuro dentro de casa e o Felipe já dormia deitado na sua cama,
devia ter chegado tão chapado que nem tinha trocado a roupa e nem fechou a
porta do quarto. Entramos no quarto da Babi e deitei na cama, ia conseguir nem
tomar banho, só tirei aquela roupa e dormi de calcinha e sutiã mesmo, a Babi
tomou um banho, vestiu uma camisola e apagou também.

Oito horas da manhã meu celular tocava que nem louco, mas espera o toque
do meu celular tocava kuduro e ali tava tocando um trance pô.

Babi: aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah atende essa porra logo Jú
Júlia: já vai – me levantei e peguei o celular no bolso do short, era um iphone
preto e não o meu que era branco.
Atendi o celular e já tinha uma mulher que nem louca falando.
Xxx: quem é você filhinha?
Júlia: calma esse celular não é meu
Xxx: disso eu sei muito bem né, cadê o Fernando? Ta aí na cama contigo? – aí
que me toquei que tínhamos trocado os celulares na hora que ficamos. – ta aí???
Cadê ele?
Júlia: olha querida, isso foi um mal entendido, to com ele não ok? Mas se falar
com ele fala que ele ta com o meu celular.
Desliguei o telefone e fiquei parada e logo me deu uma crise de riso da
histérica que tinha ligado.
Babi: que foi louca? – ela perguntou se levantando
Contei toda a história da noite passada pra ela que ficou de cara.
Babi: menina que noite foi essa? Só não foi legal a parte do nojento lá no show
mas porra ainda foi salva pelo peguete da rave hahaha ele ta lá sempre que tu
precisa né pode ser pela sede ou por um quase estupro que ele ta lá – ela ria
quem doida
Júlia: cala a boca idiota  hahaha
Tomei um banho e escovei os dentes, era domingo e no outro dia tinha aulas
chatíssimas até que o celular do Fernando tocou e era do meu número.
Júlia: alô
Fernando: acho que cometi dois erros numa só noite hein Júlia – eu ri
Júlia: erro nenhum, ta é querendo me ver de novo né – eu ri – to brincando
doutor, mas não acho que ficar comigo é um erro doutor
Fernando: contigo não, com menor, e por causa disso quase perdi a hora de fazer
a cirurgia, sorte que o tablet despertou – ele riu
Júlia: que bom doutor, quero meu celular
Fernando: e eu o meu posso buscar onde e a que horas?
Júlia: Restaurante Chinês em Copa?
Fernando: Ta certo que horas?
Júlia: umas 19 horas ok?
Fernando: ok gatinha, até lá
Júlia: até doutor, beijo

Desliguei e a Babi me olhava de cara.
Júlia: que foi?
Babi: tu ta pior que eu fia, dois heróis na mesma noite é? Hahaha
Júlia: até parece né vou pegar meu celular com o doutor gostoso e aquele lá da
rave é pobre e vagabundo amiga, Deus me livre,
é gato, tem pegada mas de que adianta? É um perdidão da Zona Norte, tem
nem como eu devolver esse casaco pra ele nem sei chegar na tal kit net que ele
ta morando e dele só sei isso e o nome.
Babi: aí não sei amiga você já perdi as esperanças de parar com esse
preconceito com as pessoas não são tão favorecidas amiga
Júlia: amiga mesmo que ele fosse só pobre, o cara é um vagabundo. É pichador,
só me achou porque tava pichando o muro lá do lado
Babi: e aí? Se ele não fosse pichador vagabundo não teria te achado e sabe-se
lá o que teria acontecido – ela me olhava e eu realmente não tinha pensado
nisso mas mesmo assim não ia mudar a minha opinião.
Descemos e tomamos café da manhã, depois peguei um táxi e desci em casa, meu
pai não estava só a minha mãe que tomava um café na sala vendo tv.
Agnes: oi filha – ela sorriu
Júlia: oi mãe – dei um beijo em sua testa – Capuccino  eu quero – disse pegando a xícara dela e
tomando
Agnes: olha os modos Júlia
Júlia: ai mãe é seu café, eu posso – fiz bico e ela riu
Agnes: toma um banho que eu vou sair e quero que você vá comigo
Júlia: ai mãe to morta nem rola viu
Agnes: ah não Júlia vai ser bom você vai ver
Júlia: vai aonde? No parque de diversões é? – falei rindo
Agnes: não, eu vou finalmente buscar o seu primo
Júlia: vai subir o morro mãe? Ficou doida?
Agnes: calma filha, ele vai estar no terminal de ônibus aqui da Barra, vou lá
busca-lo vamos comigo?
Júlia: eu? Numa rodoviária? – ri muito e minha mãe ficou com raiva
Agnes: Júlia olha os modos, deixa eu vou sozinha mesmo – ela se levantou, pegou
a bolsa e saiu, eu subi as escadas e fui cochilar um pouco antes do almoço.
Kauãn Narrando

A menina me abraçou e
não sei porque estremeci, ela percebeu, ficou sem graça e saiu. Que burro que
eu sou! Mas ela também é uma patricinha fresca demais. Montei na moto pensando
naquela menina e no casaco que eu mais gostava e tinha acabado de perder. Cheguei
na kit e o Andin tava lá, como assim?
Andin: e aê mano?
Kauãn: Fala seu MC meia boca – nós rimos – o que ta aprontando por aqui?
Andin: então mano vim pra cá porque surgiu um contrato maneiro de gravar uma
mixtape lá em Sampa e aí vou morar lá saca? Vou ter que desocupar aqui, foi mal
mano, mal mermo se quiser te ajudo a arrumar outro lugar pra ficar mas é que a
grana ta curta entende?
Kauãn: entendo sim mano mas relaxa que eu já tava saindo mermo, tava folgadão
demais – ri sem graça
Andin: vai pra onde? Pro Marcelo de novo?
Kauãn: não véi, fiquei tempo demais lá e a coitada da tia não disse mas sei que
ela tava me agüentando ali mais não.
Andin: ah mas lá o povo te adora
Kauãn: é mas deixa baixo – lembrei do convite de uma tia que eu nem conhecia
pra ir morar com ela, no dia que ela me ligou achei um absurdo ainda mais
porque ela era toda fina de família rica e mansão igual minha mãe disse que era
antes de conhecer o meu pai, nessa hora o convite não era tão absurdo assim. –
já tenho um plano fíh – eu ri
Andin: beleza, amanhã eu mudo
Kauãn: eu também – sorri e assim fomos dormir.
No outro dia acordei cedo e liguei a cobrar pra irmã da minha mãe, ela me
retornou e marcamos de eu ir morar lá com ela e o marido e a filha dela, fiquei
torcendo pra que fosse uma bebêzinha porque eu me amarrava em crianças. depois
combinamos dela me buscar no terminal da Barra porque ela disse que morava em
condomínio na orla da praia (ui!). Me despedi do meu mano e desejei sucesso pra
ele, depois mandei um sms pro Marcelinho contando tudo, arrumei minha
mochila  e fui pro ponto de ônibus pegar
o buzão pra Barra da Tijuca. Ônibus lotado mano, ainda mais num domingo, mas
fui, tava nervoso, era um nada, um cara que nenhum rico queria ter por perto,
não sei porque essa mulher apareceu me chamando pra morar com ela, nem me
conhecia nem nada. Desci do ônibus e fiquei andando pelo lugar até que vi uma
coroa bonita até, loira, alta e com roupas de grife no meio daquele povo todo
feio, ela segurava uma placa com o meu nome, fui até ela.
Kauãn: tia?
Agnes: Kauãn – ela me abraçou, parecia estar emocionada – você... – ela me
olhava com lágrimas nos olhos – você é a cara da Alice, meu Deus do céu como
pode?
Kauãn: todo mundo diz isso – sorri
Agnes: bem, vamos?
Kauãn: claro – fomos andando até que ela entrou num carrão, uma SW4 prata e eu
entrei também. Ela deu partida e puxou assunto.
Agnes: então Kauãn quantos anos você tem mesmo?
Kauãn: Eu tenho 20 tia – ambos olhávamos para o caminho na frente mas não me
senti desconfortável perto dela, pelo contrário, ela além de parecer com a
minha mãe fisicamente, parecia também no jeito de falar e se comportar.
Agnes: entendi e faz faculdade?
Kauãn: não tia, parei de estudar
Agnes: o quê? – ela me olhou e depois olhou para frente de novo – parou em que
ano?
Kauãn: ia pro terceiro ano tia, mas só minha mãe que mandava estudar eu
estudava por causa dela agora vejo motivo pra nada na vida tia.
Agnes: não pode ser assim meu filho, mas vamos cuidar disso e você tem
alguma namoradinha? – eu ri do jeito que ela falou
Kauãn: Não tia, nunca namorei não, só tive meus lancinhos – ela riu
Agnes: mas esses jovens de hoje hein, ta que nem a minha filha, ela não quer
saber de namorar o que acontece com vocês hein? – droga! A filha dela não era
um bebê.
Kauãn: é difícil encontrar alguém que preste tia, nunca gostei de ninguém não
só da minha mãe e dos meus amigos – sorri sem jeito
Agnes: espero que você goste de mim e da sua prima e seu tio, tenho certeza que
vai gostar – ela sorriu – e a propósito meu filho, não quero ser autoritária
mas vamos conversar sobre a sua vida e seu futuro hein e não se acanhe, quando
quiser pode chamar seus amigos, a casa agora é sua também.
Kauãn: Não que isso tia, quero atrapalhar não, nem queria atrapalhar a senhora vindo morar aqui nesse bairro de bacanas mas é que to sem lugar pra ir - ela sorriu
Agnes: meu filho você não vai atrapalhar ninguém, e outra, eu sempre quis ter um filho homem mas não pude ter então vai ser o maior prazer ter o filho da minha irmã comigo - ela sorria fraternalmente e eu sorri, sentia falta de palavras assim fraternais as vezes.
Kauãn: obrigado tia
Agnes: nada meu filho, mas olha só, lá em casa temos algumas regras viu. E a principal delas é que tudo na vida é merecimento entendeu? Vai poder ter tudo se merecer
Kauãn: esse é meu lema tia - ela riu
Chegamos no condomínio dela e depois na casa dela que era um exagero de casa, acho que eu nunca tinha entrado numa casa tão grande e tão cheia de coisas e frescuras e luxos. Tinham empregados fazendo tudo e várias fotos em uma estante na entrada com porta retratos digitais, caralho!
Olhei uma foto e não acreditei, mas não acreditei mesmo! Era a minha tia, o marido dela (deveria ser porque estava abraçado com ela) e uma mina que não me era estranha, fui tentando lembrar até que quando lembrei não acreditei no que via, a mina da rave e que eu salvei lá no dia da Cone no galpão.
Kauãn: Tia, essa é a sua filha? Quer dizer, minha prima?
Agnes: é sim, a Júlia - quase caí para trás quando ela falou o nome da mina - ela ta lá em cima dormindo essa menina não tem modos, queria que ela te mostrasse a casa porque estou sem governanta e eu tenho que comandar o almoço, decadência viu - ela sorriu - mas venha cá que já te mostro o seu quarto, mandei reformá-lo antes mesmo de você confirmar que vinha, então espero que seja do seu agrado, mas se não for não tem problemas a gente muda tudo de novo - ela sorriu - venha - ela disse subindo as escadas e eu fui seguindo ela
Kauãn: caraca tia que casa grande - ela riu
Agnes: Mas você se acostuma meu filho, olha já já eu mostro a casa toda pra você mas pode guardar suas coisas aqui, é a última porta do corredor dos quartos, olha aqui, os dois primeiros são de hóspedes ficam frente a frente, depois vem o meu e do meu marido e na frente é um banheiro social para o quarto de hóspedes da direita que não é suíte e por fim, à esquerda é o quarto da Júlia e na frente à direita é o seu quarto - ela sorriu abrindo a porta do meu quarto e entramos. - espero que goste meu filho, já eu subo - ela disse saindo do meu quarto e eu entrei e sentei na cama.
Quarto do Kauãn:

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http://images.orkut.com/orkut/photos/QQAAAL6N_EG4TSviVRH2jlCw82sgGiiLLt2Kz96PlcHePsCHENJsto1sfD3PeBMQArKkXvvX_souseoSsu-eAsNc0JnWBb_KYdNpx7c3JZohlx1_AJtU9VBQbOGu-Qu6wkzwRLT-N5XjbrtDvw.jpg

Banheiro do Kauãn: 

http://images.orkut.com/orkut/photos/QQAAAL6N_EG4TSviVRH2jlCw82uYBRFwWbRoy3OYiHvVlZpdh5QZIKKb9MOWc5r3hRv6dujoau4dahorS4s4IbhLAApShmZ8IPunj4DZnNCieJ2JAJtU9VDUS1ccIKG5OF1axIlPE3hmhjvaEg.jpg
Kauãn: Caralho que quarto maneiro - falei maravilhado, entrei no banheiro do quarto e quase infartei com tanto luxo - que isso mané, imagina a grana que foi montar isso aqui - falei rindo. Voltei pro quarto e fui pro closet guardar as minhas coisas pensando como que aquela menina poderia ser minha prima, da minha família? Será que era pecado? Eu que nunca fui ligado em religião e tal. Fui levado por esses pensamentos mas por fim eu terminei e a tia gritou chamando pro almoço, abri a porta e como era de se esperar que mais cedo ou mais tarde ia acontecer, encontrei com ela toda sonolenta no corredor, mas quando me viu despertou na hora com uma cara de medo e susto.
Júlia: O que você ta...que que ta... o que ta fazendo aqui? - ela perguntou assustada e eu sorri
Kauãn: Visita pra dama, o vagabundo - sorri
Júlia: ãn?
Kauãn: prazer em conhecê-la prima - sorri - sua mãe chamou pra almoçar bora? - ela nem se mexia me olhando perplexa e eu fui na frente até que ela correu e me segurou na ponta da escada
Júlia: espera
Kauãn: que foi?
Júlia: você é o filho da tia Alice? o Favelado?
Kauãn: pô valeu pelo elogio, mas sou eu mesmo
Júlia: mas tu não mora na Baixada?
Kauãn: cresci no Morro do Adeus, minha mãe me teve em São Paulo porque fugiu dos nossos avós e depois voltou pra morar com aquele lá no morro, a minha surpresa foi assim grande também
Júlia: caralho mas eu nunca imaginava, tipo a gente... - ela olhou para os lados e falou mais baixo - a gente ficou né - ela me olhava séria, ninguém pode saber, somos parentes, ai meu Deus me perdoa eu não sabia - segurei nos seus braços fazendo-a me olhar
Kauãn: relaxa, morreu lá na rave, a gente não sabia, não temos culpa, daqui pra frente é outra coisa falou? - ela assentiu com a cabeça e descemos em silêncio para a sala de jantar almoçar 
Agnes: hm vejo que já se conheceram que ótimo - ela sorria e a Júlia permanecia muda
Kauãn: Pois é tia - sorri disfarçando
Almoçamos e sempre a minha tia perguntando as coisas, me explicando também e a Júlia sempre calada ou dando más respostas. Não falei mais com ela, ela não merecia que eu dirigisse a palavra, essa malcriada e mimada. Depois subi e minha tia foi me mostrando de cima a baixo a casa toda, ela disse que também havia me matriculado no colégio que a mimada estudava porque ela disse que era o melhor do estado e que eu voltaria a estudar, ficar no terceiro ano para que ano que vem pudesse entrar na faculdade. Ela também me prometeu um carro caso minhas notas fosse sempre boas. Mas aquele não era meu mundo, dali dos ricos eu não queria nada, só ia ficar lá porque não tinha pra onde ir mesmo e voltar pro morro não dava, ainda mais olhar na cara daquele cretino que se dizia meu pai. Depois de conversar bastante com a minha tia, ela me passar as regras e conhecer meu tio, fui para o meu quarto. Minha tia havia comprado mochila, notebook, tablet, materiais e um celular novo pra mim, fora o uniforme do colégio, livros, etc.Deitei na cama e já escurecia, coloquei meu chip no iphone e fiquei fuçando o celular até que a porta se abriu de uma vez, levei um susto e sentei na cama olhando assustado.
Olhei e era a minha tia entrando.
Agnes: me desculpa meu filho, se te assustei mas vim te avisar que suas aulas começam amanhã e o motorista irá levar vocês, esteja de pé às 7 horas pra não se atrasar ok? - ela sorria
Kauãn: ok tia - sorri e ela se despediu e saiu do quarto.
Me deitei na cama e só levantei para tomar um banho e partir pra cama, quando estava quase pegando no sono o celular apitou e era o Marcelo me ligando.
Kauãn: fala brother
Marcelo: oi mano e aê como que tá com os ricos e famosos? - ele ria de deboche
Kauãn: caralho tudo cheio de regrinhas e vou ter que voltar pro colégio otário, bota fé?
Marcelo: Mentira? - ele ria - te falei viado pra terminar comigo aquele ano que minha mãe me forçou a continuar
Kauãn: pois é cara, ninguém merece e de quebra a minha prima é aquela mina chapada da rave que ia ser estuprada no galpão acredita?
Marcelo: ta me zuando??? A loirinha que tu catou na rave?
Kauãn: essa mermo, quase caí pra trás mano
Marcelo: caralho hein cara que nóia
Kauãn: demais porra, fiquei de cara né e ela com vergonha, deve ta com medo de eu contar pra mãe dela o que ela faz quando sai - nós rimos
Marcelo: e tu vai esparrar a mina?
Kauãn: claro que não mano, deixa ela pra lá
Marcelo: verdade mas aí tu num acredita o trampo que to descolando?
Kauãn: qual otário?
Marcelo: Sabe a oficina Dubflushment?
Kauãn: sei né mané, a do Japonês lá que ia nos bailes do morro
Marcelo: lá mano, de pintor, caralho vou ganhar uma nota, mas tenho que fazer uns testes e quem sabe não compro meu carrão louco? hahah
Kauãn: caralho mano que louco, parabéns, quando tem corrida? Quero tá lá pra ver um carro que tu pintou
Marcelo: começo amanhã e sexta tem corrida
Kauãn: me chama valeu?
Marcelo: valeu mano, agora vou desligar aqui que quero ta inteiro pra esse teste amanhã
Kauãn: falou bro
Desligamos o telefone e dormi pesado.

Júlia Narrando

Acordei com o meu celular despertando e me levantei animada para o primeiro dia de aula do segundo ano. Tomei um banho e vesti minha blusa do uniforme com uma calça jeans escura da Colcci, uma melissa vermelha de sapatilha com laço e passei chapinha no cabelo. Fiz um make e me perfumei. Peguei a mochila e desci, o café estava pronto, meu pai lia o jornal e tomava um café preto, coloquei meu capuccino na xícara e minha mãe tomava suco, comi umas torradas.
Agnes: Júlia acorda o seu primo, porque ele não pode perder a primeira aula
Júlia: ah nem mãe
Agnes: vai logo - ela me olhou me repreendendo e não tive outra alternativa, larguei meu café e subi, cheguei na porta do seu quarto e parei. Respirei fundo e abri.
O mano da favela dormia só de cueca box preta todo esparramado na cama com o celular no chão, me aproximei e chamei ele que nem se mexia.
Júlia: ooh garoto - eu mexia ele - levanta logo que tem aula
Kauãn: mãe me deixa caralho - ele resmungava baixinho e na hora fiquei até com pena, me abaixei no chão com o meu rosto na altura do dele e falei baixo - é a Júlia, acorda logo vai - ele abriu os olhos e ficou me olhando meio espantado. Me levantei e fui até a porta do quarto. - você tem 14 minutos pra sair daqui - sorri e saí
Desci as escada e continuei meu café, em uns 10 minutos ele desceu correndo e falou com todos. Terminei de comer e ele tomou só um suco e saímos pra escola. Ele entrou no banco da frente e fui atrás.
Chegamos na escola e tipo, tava a galera inteira lá, inclusive minha irmã linda, a Babi!
Júlia: BAAAAAAAAAAAAAABIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII - saí correndo e pulei nela
Babi: oi amiga - ela falou sorrindo e viu o Kauãn atrás de mim meio sem jeito - pera aí, quem é esse?
Júlia: meu primo da favela - olhei pra ele e voltei pra Babi - ta morando lá em casa
Babi: oi - ela sorriu e ele correspondeu
Kauãn: oi Babi né? - ele sorriu
Babi: isso aê e o teu?
Kauãn: é Kauãn
Babi: ah sim, tattoo maneira a sua
Kauãn: valeu
Júlia: bora pra aula? Kauãn o corredor do terceiro ano é no terceiro andar do prédio ok? Vamos amiga - falei puxando a Babi e indo em direção a nossa sala no segundo andar
Babi: ai amiga vai nem mostrar a sala pra ele?
Júlia: ele que se vire amiga com esse aí quanto menos contato melhor
Babi: por quê? Ele morde? - ela riu
Júlia: não, mas beija - falei sentando na minha carteira de sempre no fundo da sala
Babi: o quê?? Como assim?
Júlia: coincidentemente ele é o menino que me "salvou" da festa de rap e que eu fiquei na rave acredita? - falei cochichando porque a professora já estava na sala
Babi: ta me zuando né?
Júlia: antes fosse amiga, antes fosse, tenho nem coragem de olhar na cara do cidadão, ainda mais sabendo que ele é mó favelado, onde que eu tava com a cabeça?
babi: ah me poupe Jú ele é um gato e gostoso né - ela riu - ficar com ele não deve ser nenhum sacrifício - nós duas rimos e a professora viu
Professora: O que é tão engraçado senhorita Andaretto? Primeiro dia de aula já atrapalhando?
Júlia: foi mal teacher
Todos na sala de aula riram e a professora já ficou puta.
Professora: Júlia Andaretto, vai na diretoria agora que você acabou de receber uma anotação! - ela me olhava furiosa e eu a olhei com deboche
Me levantei e saí rebolando nem ligando e ainda lixando as unhas. Fui andando bem devagar até que eu sentei em um banco no primeiro andar, olhei pro céu e estava nublado, 'que merda', eu pensei e deslizando o olhar vi o Kauãn debruçado na grade do corredor do terceiro andar, ele me viu e saiu de lá. Disfarcei e continuei lixando as unhas até que o ser aparece na minha frente e se senta ao meu lado, continuei lixando as unhas normalmente.
Kauãn: o que foi?
Júlia: que foi o quê garoto? - falei sem olhar pra ele ainda olhando para as unhas
Kauãn: ta me evitando - ele sorriu torto
Júlia: to de boa
Kauãn: não tá não
Júlia: claro que tô ué
Kauãn: então por quê não olha pra mim?
Júlia: porque to ocupada não tá vendo?
Kauãn: não vou contar pra ninguém do nosso lance beleza? - olhei pra ele
Júlia: lance? que lance? Não tivemos nada
Kauãn: tem razão, a tia Agnes deve saber que a filha dela quase foi estuprada mesmo, é uma questão se segurança da família - ele me olhou sério
Júlia: ta bom ok? Foi mal, mas porra minah família é tradicional demais pra aceitar que eu frequente esses lugares que... que outro tipo de gente vá - falei sem graça
Kauãn: gente como eu né? - ele me olhava fixo, depois desviu o olha, tirou o boné aba reta da cabeça e bagunçou o cabelo, parecia contrariado, colocou o boné de volta e me olhou novamente - eu já devia saber que foi uma ilusão mesmo
Júlia: ilusão?
Kauãn: uma mina gente boa igual você tava na minha casa
Júlia: você me salvou né? Agora ta me ameaçando, é diferente.
Kauãn: eu? fazendo o quê? Quando que te fiz alguma coisa mina? Ta louca? Eu te ameaçando?
Júlia: tua presença me ameaça, acha o quê? Sei lá nem te conheço, minah mãe acha que colocar qualquer um dentro de casa vai aliviar a dor de ter passado uma vida brigada com a irmã, mas conheço gente da sua laia garoto
Kauãn: beleza - ele se levantou e saiu, na mesma hora o Bernardo (um amigo meu) vinha passando e nos viu, ele veio na minha direção
Bernardo: Gata?
Júlia: oi amor - dei um abraço e um beijo no rosto dele - saudades sumiu nessas férias
Bernardo: pois é, fui pra Miami com os meus pais - ele sorriu
úlia: hmm que ótimo quero presentes - sorri
Bernardo: ok, depois te dou a bolsa que comprei pra você - ele sorriu - mas quem é aquele cara ali?
Júlia: que cara? - me fiz de desentendida mas não colou
Bernardo: você sabe, o da tatuagem no braço
Júlia: ah aquele mané - olhei com cara de tédio
Bernardo: ex peguete? - ele riu
Júlia: pior, uma cruz pesada que a minha mãe pregou em mim, meu primo
Bernardo: nem sabia que você tinha um primo, ainda mais assim, meio rebelde - ele riu
Júlia: é longa história mas eu tenho
Bernardo: ele pareceu meio bolado
Júlia: to nem aí - sorri
Bernardo: tendi e hoje depois da escola vai fazer o quê?
Júlia: pô nem sei amor e você?
Bernardo: bem - ele sorriu de canto - se tu quiser ver algum filme, sei lá to dentro haha
Júlia: ai amor acabei de lembrar de um compromisso mas amanhã to querendo agitar a piscina lá em casa que tal?
Bernardo: topo grandão - ele sorriu - vou pra aula loirinha - ele me deu um beijo no rosto e saiu
Eu terminei de lixar as unhas e quando ia pra aula o celular tocou, na verdade, o celular do Fernando e eu atendi.
Júlia: Oi
Fernando: Oi gatinha
Júlia: e aí? Que número é esse?
Fernando: do meu consultório
Júlia: tendi doutor
Fernando: ta de pé hoje a noite mesmo? A destroca dos celulares?
Júlia: ta sim haha
Fernando: ok então te busco na sua casa?
Júlia: Não, vou de táxi
Fernando: como quiser linda, beijo
Júlia: beijo, tchau
Desliguei o celular e fui pra diretoria receber a tal anotação.
Saí da diretoria e já era intervalo, fui direto pra pracinha do colégio no pátio onde sempre ficava com os meus amigos. Cheguei e estavam o Bernardo, a Babi, a Analú, o Kleber e o Kauãn. Espera aí, o Kauãn???
Cheguei na marra e todos logo me olharam.
Analú: oi amiga que saudade - ela me abraçou e retribuí
Júlia: ai meu amor também tava, oi Kléber - ele sorriu e me abraçou
Kléber: oi linda - ele me abraçou
Nosso grupo era basicamente esse, mas o que o Kauãn estava fazendo ali?
Júlia: o que ta fazendo aqui Kauãn?
Kleber: o cara é da minha sala e do Bê, Jú ele disse que era seu primo só depois da gente trocar ideia e chamar ele pra cá - ele sorriu e o Kauãn continuou calado
Analú: que primo gato amiga - ela sorriu falando baixo pra eles não escutarem
Julia: nem tanto amiga
Analú: muitoooo amiga - ela ria - poderia fazer meu filme né?
Júlia: ai amiga nem perde seu tempo, ele é da favela
Analú: sério?
Júlia: aham
Analú: mas não ta morando contigo e estudando aqui?
Júlia: ta por quê?
Analú: é ex favela amiga - ela riu - dá pro gasto
Babi: tão me excluindo do papo calcinha por quê mesmo? - a Babi disse rindo e se aproximando
Analú: to apreciando a beleza nova no recinto - elas riram e eu fiquei séria
Júlia: ai ai que mal gosto hein
Babi: relaxa amiga, não se sinta ameaçada, não tem motivos.
Analú: ameaçada com o quê meninas?
Babi: pode falar?
Júlia: pode né senão ela vai fazer bico já já - sorri e ela me deu língua
Babi: a Jú pegou ele nas férias sem saber que era primo dela numa rave, ela tava fritando sabe? Aí depois descobriram que eram primos só quando se viram no dia que ele foi morar na casa dela. Já viu né? Ta com medo da tia saber que eles ficaram
Analú: meninas to chocada!
Kleber: chocada com o quê ex amor? - ele riu e ela ficou séria, ela odiava quando ele brincava com ela sobre o ex namoro deles
Babi: nada não ow entrão, vai comprar lanche pra mim vai?
Júlia: é mesmo Peixotão vai lá haha
Kleber: vou nada, fiquei de mostrar o colégio e as gatas pro mano Kauãn haha - o kauãn sorriu - simbora brother, falou galerê
Eles saíram e ficamos sentadas, o Bernardo toda hora tentava me beijar mas eu saía, só pensava no doutor que veria mais tarde. Voltamos pra aula e já era outro professor, a Analú sentou com a gente dessa vez (porque ela era mais nerd então gostava de sentar na frente, mas a gente sempre trazia ela pro fundão haha) e ficamos fofocando até a hora da saída.
Saímos e o motorista já nos esperava, as meninas resolveram ir lá pra casa e fomos nós três atrás e o Kauãn na frente.
Chegamos em casa e pedimos pra empregada servir o almoço na piscina, sentamos nas mesas ao redor e ficamos.
Analú: Kauãn almoça com a gente
Kauãn: não pô, vou dar uma dormida agora
Babi: mas não vai mesmo, é nosso brother agora nem adianta vai comer com a gente - ele sorriu mas me olhou meio desconfiado
Permaneci calada e ele se sentou na mesa com a gente. Comemos e depois tomamos a sobremesa. Ele conversava todo o tempo com as meninas e elas se divertiam muito com as histórias faveladas dele.
Mais tarde, o Felipe passou aqui e buscou a Babi, a Analú ainda ficou lá conversando com o Kauãn e eu fui me arrumar pra sair. Tomei um banho e coloquei um vestido que em cima era um corset azul marinho com bojo e em baixo na saia, era florido de vermelho, branco e azul. Calcei um sapato fosco com laço atrás brilhoso vermelho. Fiz um make e me perfumei. Coloquei os acessórios e liguei para o táxi. Mas na hora a Ana Luíza vinha no meu quarto se despedir.
Analú: amiga ta ligando pra quem?
Júlia: um táxi amiga
Analú: vai pra onde linda desse jeito numa segunda? - ela sorriu, resumi a história do doutor e ela ria - caralhoooo amiga que chique, mas gasta money com táxi não, teu primo vai me levar em casa ele te deixa lá, é perto da minah casa o restaurante mesmo.
Júlia: neeem morta e como assim?
Analú: uai sua mãe falou pra ele me deixar que ele ia conhecendo melhor a cidade por aqui na Zona Sul e tal
Júlia: não amiga, vou pra um encontro agora
Analú: e daí? Boooora - ela falou me puxando e descemos as escadas
O Kauãn estava na sala sentado com as chaves na mão.
Agnes: vai com eles filha? - droga minha mãe me viu!
Analú: vai sim tia - ela sorriu
Júlia: é mãe, depois vou comer pizza com o Bernardo - sorri sem graça - mas já eu volto
Agnes: tem que voltar cedo né Júlia, hoje é segunda ainda
Júlia: é, eu sei mãe - olhei pro Kauãn - vamos?
Ele se levantou e entramos no carro que eu nunca tinha visto antes na garagem.
Júlia: que carro é esse?
Kauãn: um Jetta né drr - ele riu e a Analú também
Júlia: disso eu sei idiota mas de quem é?
Kauãn: tu que é a dona da casa mina, se não sabe eu que não vou saber né
Entramos, eu entrei atrás e a Analú na frente com ele.
A deixamos em casa e passei pro banco da frente, ele voltava pra casa em silêncio.
Júlia: Kauãn?
Kauãn: o quê?
Júlia: me deixa num lugar?
Kauãn: que lugar?
Júlia: num restaurante aqui perto, marquei com uma amiga
Kauãn: não falou que ia comer pizza com o teu namoradinho?
Júlia: era kaô
Kauãn: ah ta esqueci que tu não é muito sincera com a tua mãe
Júlia: não é verdade
Kauãn: ok, onde é?
Fui ensinando o caminho pra ele que parou na porta.
Kauãn: ta entregue
Júlia: valeu - olhei pra ele que continuava olhando pra frente 

Kauãn: de nada
Júlia: vai pra casa agora?
Kauãn: te interessa? - ele me olhou sério
Júlia: interessa ué
Kauãn: não, não interessa mas eu vou sim por quê?
Júlia: nada ué só queria saber
Kauãn: agora já sabe
Júlia: ok tchau - falei saindo do carro e mal bati a porta e ele arrancou
Entrei no restaurante e já logo vi o doutor sentado em uma mesa no canto. Me aproximei e ele se levantou sorrindo.
Fernando: que linda - ele me deu um beijo no rosto
Júlia: obrigada - sorri e nos sentamos - e aí tudo bem?
Fernando: estou sim e você linda?
Júlia: to bem sim, bem antes que eu esqueça, ta aqui o teu celular - peguei na carteira o celular dele e entreguei
Fernando: e está aqui o seu - ele disse me entregando o meu celular - hoje um tal de Bernardo te ligou muito viu? - ele riu
Júlia: ah foi mal se te atrapalhou - sorri
Fernando: isso porque disse que não tinha namorado hein
Júlia: o Bernardo é só um amigo - sorri - mas uma doida te ligou e perguntou se eu tava na sua cama - ele riu
Fernando: provavelmente minha ex noiva, ela é um pouco neurótica - sorriu
Júlia: percebi
Ficamos conversando e jantamos, o clima estava muito agradável com ele mas logo tive que ir embora, ele se ofereceu para me levar e não tive como dizer não, então fomos e ele parou o carro na porta da minha casa dessa vez.
Fernando: mais uma vez entregue - ele sorriu
Júlia: obrigada doutor - sorri
Fernando: para com isso, me sinto mais velho - eu sorri
Júlia: me amarro nos mais velhos
Fernando: a é? - ele sorriu e ia se aproximando
Júlia: é sim - sorri
Ele ia se aproximando mais e mais, mão na minha cintura, e a outra apertou os cintos nos desprendendo, eu sentia seu perfume delicioso e finalmente ele me beijou. Dessa vez seu beijo era mais rápido mas mesmo assim contido. Já eu estava menos contida, passava a mão em seu pescoço e nuca, dando leves deslizadas embaixo da gola da sua camisa pela as suas costas. Ele passava uma das mãos na minha coxa e continuava a me beijar intensamente, ia deslizando duas mãos e eu me sentia excitada, como um beijo mexia tanto assim comigo? Paramos o beijo já eufóricos e ele me olhou.
Fernando: eita garotinha que ta me deixando louco - ele sorriu enquanto eu me recompunha
Júlia: viu foi nada doutor - sorri atrevida demais!
Abri a porta mas ele segurou no meu braço e o olhei.
Fernando: ainda te vejo?
Júlia: se tiver alguma coisa legal pra fazer amanhã me chama - sorri
Fernando: amanhã é minha folga, te busco no colégio?
Júlia: Colégio Marista Champagnat aqui na Barra, 12:45 em ponto - sorri e ele sorriu também
Fernando: anotado linda
Saí do carro e entrei em casa, ele arrancou e saiu, passei pelo jardim e vi o Kauãn olhando o motor do Jetta lá.
Júlia: que foi?
Kauãn: que foi o quê?
Júlia: você aqui na garagem? Qual foi?
Kauãn: teu pai me deu esse carro - ele falou sério ams não parecia entusiasmado
Júlia: que bom, agora dá seus pulos de alegria
Kauãn: não, eu tenho que trabalhar
Júlia: o quê? - eu ri
Kauãn: Ta rindo de quê louca?
Júlia: nada não vei, mas hein posso ver seu poçante - ele riu
Kauãn: pode claro - entrei no banco do passageiro e olhava, aquele carro era o tipo de carro que eu queria ganhar mas como ainda tinha 16 anos ia ter que esperar bastante.
Saí do carro e ele estava encostado na lataria de braços cruzados me acompanhando com o olhar.
Júlia: que foi?
Kauãn: nada posso te olhar mais não?
Júlia: não, eu fico sem graça
Kauãn: sem graça por quê mina?
Júlia: não me chama de mina, eu não sou tua mina
Kauãn: ta bom priminha - ele ironizou
Júlia: caralho não consigo ficar perto de tu sem me estressar né?
Kauãn: eu? O que eu to fazendo? Tu chega a essa hora da rua, vem aqui intricar e agora diz que eu é que te estresso? Para de ser mimada garota, se quer alguém pra ficar implicando, vá se olhar no espelho, puta que pariu.
Júlia: GROSSO!
Kauãn: MIMADA
Júlia: sai daqui agora!
Kauãn: nunca! Vai ter que me aturar tá ligada? - ele se aproximava com o dedo na minha cara se impondo
Júlia: vou contar tudo pro meu pai viu?
Kauãn: contar que tu veio me estorvar? Vai lá pô - ele riu de ironia
Júlia: você é um grosso sabia? Um bronco. Me arrependo do dia que te conheci! - nessa hora ele me olhou sério
Kauãn: então me faz um favor? Não olha mais na minha cara ok? Me deixa em paz, to aqui na minha quieto, vai enxer o saco dos teus namoradinhos e daqueles carinhas que lambem teu pé só pra tu achar que é alguma merda, mas não é! - ele disse isso e entrou em casa me deixando lá fora sozinha e chorando pelas as coisas que tinha acabado de me dizer.
Fiquei lá fora um pouco e depois entrei.
Agnes: filha? Tá chorando?
Júlia: não mãe
Agnes: ta sim Júlia, o que aconteceu?
Júlia: o que aconteceu? O teu sobrinho lindo aconteceu! Ele é um bronco mãe, me odeia! - eu chorava ainda mais e minah mãe chamou o imbecil que desceu e ficou me olhando assustado.
Agnes: Kauãn o que você fez com a Júlia?
Kauãn: nada tia, ela veio de grosseria e me defendi só isso, não sou abrigado a levar desaforo pra casa pô
Agnes: sei bem, então como castigo para OS DOIS porque nessa casa não deve ter brigas, o motorista está dispensado para vocês. Se forem sair será juntos e no carro do Kauãn.
Júlia: o quê? Ficou maluca???
Agnes: olha o respeito Júlia, ou nem assim você vai sair agora.
Fiquei calada e subi chorando, ele ficou lá na sala me olhando com cara de tacho e a minha mãe subu para o seu quarto. Entrei no meu quarto e fechei a porta batendo na maior altura. Deitei na cama chorando mas era de raiva, era muita injustiça tudo isso. Fiquei ali até pegar no sono. Acordei com o idiota batendo na minha porta dizendo que eu estava atrasada e que não iria me esperar, esse cretino! Mas lembrei que o doutor iria me ver depois da aula, então eu pulei da cama e parti pra um banho flash, depois fiz um make e coloquei a camiseta do uniforme e uma calça jeans clara apertadinha da Morena Rosa. Calcei uma sapatilha da Ávida e me perfumei, coloquei os acessórios e peguei a mochila. Desci e tomei um café e saí, o cretino estava dentro do carro já. Entrei no carro e não falei nada, nem ele. Partimos pro colégio.
Fomos o caminho todo em silêncio, um cu! Mas quando chegamos no colégio, pulei do carro e já dei de cara com a Analú e a Babi.
Júlia: migaaaaaaas - pulei nelas
Babi: se fudeeeeeeeeer
Analú: oi gata - elas riram - ué e aquele carro de boy ali? haha
Júlia: aff do meu primo acredita? Meu pai vai quebrar a cara com esse vagabundo aí
Babi: relaxa Jú, o cara se mostrou muito gente boa viu?
Júlia: aham ta quero ver morar com ele, ontem ele me fez sair do sério aff Mas não quero falar de lixo, quero falar de luxo haha adivinhem quem vem me buscar hoje?
Analú: quem???
Babi: não é o médico né?
Júlia: esse mesmo meninas
O sinal bateu e mesmo assim elas ficaram de cara, fomos conversando e rindo até a sala de aula.
A aula passou normalmente e prestei bastante atenção até. No intervalo os meninos estavam interagidos lá com alguma coisa no celular do imbecil do Kauãn e eu e as meninas ficamos fofocando comigo contando sobre o Fernando.
Júlia: Pois é aí ele vem, to ansiosa demais
Analú: sei e vão fazer o quê?
Júlia: Ah amiga não sei poxa mas com ele tudo é maneiro - sorri e falei isso olhando pro Kauãn e na hora parecia nos escutar
Kleber: e aê? O que as mais gatas do colégio tão aí fofocando?
Júlia: te interessa não amorzinho, vai cuidar das suas negas vai - ele riu
Kleber: Olha aí Kauãn, me mandando cuidar das negas, eu vou hein
Kauãn: aproveita e me chama haha
Bernardo: e eu amor? - ele sorriu
Júlia: você não gatinho - sorri
Bernardo: e a piscina na tua casa hoje tá de pé?
Júlia: vai dar não amore, sabe, tenho um compromisso - sorri maliciosa
Kleber: hmmmmm com quem?
Babi: ih quer saber demais Kléber, procura pensar em me apresentar um gato já que quer cuidar da vida alheia
Kleber: gato? O mais gostoso daqui sou eu Babi - ele riu e a Babi deu dedo pra ele
O intervalo acabou e fomos pra aula, que se arrastou pra passar. Na hora da saída me despedi das meninas e saí cedo, fiquei esperando na frente e procurando o carro do doutor até que alguém segurou o meu braço.
Júlia: Ai ta maluco?
Kauãn: não, onde você vai?
Júlia: virou meu pai? - ri irônica e ele permaneceu sério me olhando
Kauãn: anda logo garota
Júlia: não te interessa ué, sai fora - falei me soltando dele
Kauãn: tu sabe que só pode sair se for comigo né?
Júlia: que foi? Um vagabundo pichador vai respeitar regras é?
Kauãn: quer saber garota? Vai se fuder - ele disse e saiu me deixando lá mas dessa vez fingi que nem era comigo e continuei procurando o doutor. Até que um sonata branco estacionou na porta do colégio e geral olhou inclusive o cretino vagabundo.
O Fernando saiu do carro e encostou no capô, sorriu ao me ver e fui ao seu encontro, o cumprimentei com um selinho e ele retribuiu.
Fernando: acertei de primeira seu colégio gatinha - ele sorriu
Júlia: que bom haha
Fernando: vamos?
Júlia: claro!
Entramos no carro e logo arrancou saindo dali. Pousou sua mão na minha perna e sorriu me olhando ao parar no semáforo fechado.
Fernando: quer ir pra onde minha linda?
Júlia: você quem manda doutor, só tenho que estar em casa às 19 horas - sorri
Fernando: bem, aluguei uns filmes lá pra casa, se não me levar a mal claro
Júlia: por mim tá ótimo - ele sorriu e arrancou o carro, fomos direto para o Leme e finalmente chegamos à um prédio luxuoso. Ele estacionou na vaga e entramos pelo elevador ao 14º andar.
Entramos no seu apê que era chiquérrimo.
Fernando: fica a vontade linda
Júlia: obrigada - Me sentei no sofá e ele se sentou ao meu lado me olhando.
Fernando: pedi comida japonesa dessa vez, você gosta? - ele sorriu
Júlia: hmm adoro - sorri
Fernando: já eu adoro outra coisa - ele veio se aproximando e eu sorri
Júlia: o quê?
Fernando: você - ele sorriu, segurou minha cintura e me beijou.
Nos beijávamos e ele alisava minha cintura levantando um pouco a minha blusa, seu perfume já me invadia e seu toque me arrepiava. Com os nossos movimentos eu fui me deitando e ele se deitando por cima de mim ainda com uma mão na minha cintura por baixo da camiseta e outra na minha nuca dando leves puxadas no meu cabelo. Ele foi beijando meu pescoço e eu me arrepiava mais e mais, alisava seus braços e ele também se arrepiava. Ele voltou a me beijar e ia subindo a minha blusa mas na hora fui parando o beijo e me levantando, ele me olhava sorrindo.
Fernando: linda - ele sorriu e me deu um selinho sorri também - qual filme quer ver? Posso comprar um na sky também, vai passar um que eu gosto.
Júlia: ah é? Qual?

Fernando: Um de ação aqui, super heróis e tal
Júlia: pode ser
Fernando: ok então - ele colocou o filme e abriu o sofá que virava uma espécie de cama.
Deitamos e ficamos vendo o filme mas era chato demais e ele prestava bastante atenção no filme e eu estava deitada com a cabeça em seu ombro. Estava ficando entediada com aquele filme que só tinham lutas então levantei minha cabeça e comecei a beijar seu pescoço bem devagar,
Fernando: ai assim eu apaixono gatinha - sorri e continuei beijando, até que ele foi me deitando e ficando por cima de mim, ia alisando minhas coxas e subindo, alisava minha cintura e ia subindo minha blusa vagarosamente me fazendo arrepiar.
Ele me beijava intensamente e já me enlouquecia só de me tocar. Ele foi subindo minha camiseta do uniforme até tirá-la. Ele olhava meus seios maravilhados e sorriu, então ele beijava meu pescoço e pegava num seio meu, aquilo me excitava muito e eu fui levantando sua camisa até fazer ele tirar.
Ele tirou a camisa e se deitou novamente em cima de mim, ele me beijava e mordia levemente meus lábios e passava suas mãos na minha cintura e nos meus seios. Eu arranhava suas costas e o beijava, ele me levantou um pouco e abriu meu sutiã, me deitou novamente e começou a beijar meu pescoço, foi descendo, beijando meu colo e por fim, começou a lamber o biquinho de um seio enquanto passava a mão no outro. Eu nunca tinha sentido isso, mas acho que era tesão a palavra, meus seios estavam duros e eu sentia sua língua quente os acariciando. Então ele foi levemente descendo a mão pela minha barriga chegando ao cós da minha calça e abrindo-a, depois ele colocou a mão por dentro da mesma e com um pouco de esforço ele conseguiu tocar minha bct que estava bem molhada. Ele colocou um dedo suavemente dentro dela e fazia um vai-e-vem muito bom, até que ele colocou dois dedos e foi descendo minha calça e colocando minha calcinha para o lado. Ele finalmente tirou minha calcinha e eu já estava completamente sem roupa, ele ia tirando sua calça quando eu senti uma ponta de medo de aquela hora não ser a hora, mas estava com vergonha depois dessas preliminares tão boas, não fazer nada em troca, mas fui salva pela campainha.
Fernando: droga! Esqueci do almoço - ele sorriu - Já vaaai - ele gritou para o entregador
Eu me sentei no sofá e rapidamente vesti minhas roupas, ele permaneceu sem camisa e foi buscar a comida. Logo ele veio carregando a comida e a colocou na mesa de centro da sala.
Júlia: hmm ta parecendo estar boa hein - sorri
Fernando: verdade, mas estava melhor antes dela chegar - ele me olhou sorrindo malicioso
Júlia: ai doutor to morrendo de fome, vamos comer?
Fernando: vamos sim gatinha
Almoçamos tranquilamente e o resto da tarde foi tranquila, ele quis tentar novamente mas eu disse que dessa vez queria ver o filme e assim foi até a hora de ir embora.
Fernando: vamos que eu te levo e nem adianta dizer não - ele sorriu
Júlia: ok o doutor venceu - eu sorri e ele me deu um selinho
Ele vestiu a camisa e saímos do seu apartamento, ele trancou a porta e descemos no elevador, fomos até a garagem e entramos no carro, o caminho foi até tranquilo, até que ele estacionou o carro na porta da minha casa.
Fernando: senhorita Andaretto entregue - eu ri
Júlia: obrigada Fernando - sorri - adorei nossa tarde
Fernando: eu também linda e desculpe se te pressionei não era a minha intenção
Júlia: pressionou com o quê?
Fernando: Júlia eu sei que você é virgem, me desculpe antes eu de fato não sabia mas prometo te respeitar mais
Júlia: como sabe?
Fernando: homens sabem dessas coisas quando partem para aquela hora - ele sorriu sem graça
Júlia: ah entendi, mas que isso, tem nada  a ver - sorri - assim me sinto mais nova ainda
Fernando: ah me desculpe mas talvez você tenha que procurar alguém da sua idade gatinha, to meio velho pra você
Júlia: o quê? Só porque sou virgem? Que machismo!
Fernando: não, claro que não! Não me interprete mal mas acho que não tenho mais idade pra esperar você se decidir não é? E também jamais seria um canalha a ponto de te pressionar para transar comigo, não quero isso
Júlia: não quero romper agora que ta começando doutor, gostei de ti
Fernando: também gostei de você linda mas então não se sinta pressionada ok?
Júlia: ta, me liga depois?
Fernando: claro - ele sorriu e me beijou
Depois saí do carro e entrei pelo portão, ele foi embora e fiquei pensativa. Entrei em casa e só vi o Kauãn sentado na sala vendo tv.
Júlia: oi
Kauãn: e aê
Júlia: cadê os meus pais?
Kauãn: saíram pra jantar com um ministro do não sei das quantas - ele falou sem desviar o olhar da tv
Júlia: Kauãn me desculpa? - ele me olhou....